sexta-feira, 6 de setembro de 2013


MORRO DA BABILÔNIA

À noite, do morro                                                                                        
descem vozes que criam terror
terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral,

Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,                          
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes no morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem,
e desce até nós, modesto e criativo,
como uma gentileza do morro.

Interpretação

No livro Sentimentos do Mundo de Carlos Drummond de Andrade, ele busca retratar o mundo a sua volta com uma criticidade particular e uma visão mais política em seus versos. Devido também a época que foi escrito entre 1935 e 1940 anos após a Primeira Guerra Mundial e o início iminente da Segunda Guerra Mundial com a imposição do fascismo e nazismo, Drummond tenta lutar ou contestar retratando sua realidade.

No poema Morro da Babilônia, a começar pelo título dado pelo autor que faz referência ao Rio de Janeiro no sentido dos morros e faz lembra de algo mais simples como favelas ou seja a classes sociais mais baixas. Babilônia tem o sentido contrário pelo valor histórico e por causa do nobre império babilônico é associada em histórias bíblicas com a palavra babel que seria a mesma coisa que confusão portanto há uma certa ambiguidade de início. O poema descreve um morro, onde aparentemente, ocorre um conflito armado entre moradores e soldados e também fala de vozes que seria o estado de espirito dos moradores ele mostra que mesmo com essa desigualdade toda as vozes (moradores) mesmo com tantos motivos para ficarem triste eles ainda conseguem ser felizes com coisas simples como uma música na hora que ele fala do “cavaquinho”.

(Alunos:Weslley e Diego)

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