sexta-feira, 6 de setembro de 2013


O SENTIMENTO DO MUNDO

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

RESENHA

O primeiro poema que dá nome ao livro. Mostra a visão particular de Drummond em relação ao mundo.  O poeta retrata a realidade, o que nos espanta, pois a própria é muito triste e desafiante.
Na primeira estrofe do poema, ele retrata sua impotência perante os problemas e fala de seu refúgio citando suas lembranças e o amor.
O pessimismo em relação ao futuro, com morte de seus sentimentos e sua própria morte.
De certa forma, se sente culpado e se desculpa, talvez por não ter o poder de  proteger ou salvar as pessoas que passaram por sua vida.
Na última estrofe, vê-se a visão negativa do futuro. 
(Aluna: Tamirez Fonseca)

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