segunda-feira, 9 de setembro de 2013


TRISTEZA DO IMPÉRIO

Os conselheiros angustiados
ante o colo ebúrneo
das donzelas opulentas
que ao piano abemolavam
“bus-co a cam-pi-na se-re-na
pa-ra-li-vre sus-pi-rar”,
esqueciam a guerra do Paraguai,
o enfado bolorento de São Cristóvão,
a dor cada vez mais forte dos negros
e sorvendo mecânicos
uma pitada de rapé,
sonhavam a futura libertação dos instintos
e ninhos de amor a serem instalados nos arranha-céus de
Copacabana,
[com rádio e telefone automático.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.

Interpretação: 

No poema, o eu lírico descreve e ataca alguns costumes da alta sociedade, que pode ser considerada egoísta, pois apenas tem preocupações com os próprios interesses, sejam eles comerciais ou não.
A obra se coloca a serviço da análise crítica da realidade, o que é uma característica presente na poesia modernista da 2ª fase.
O eu lírico também relaciona a História ao modernismo e no poema são citados acontecimentos histórios, santos, etc e ainda há uma referência aos arranha-céus, que já eram uma realidade na época de Drummond.
Este poema é uma crítica direta aos costumes e pensamentos da sociedade mais ”abastada”, que continua com uma ideologia ultrapassada e com uma certa “mesmice” ao passar dos anos.

(Aluno  : Carlos)

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