sexta-feira, 6 de setembro de 2013


PRIVILÉGIO DO MAR

Neste terraço mediocremente confortável,
bebemos cerveja e olhamos o mar.
Sabemos que nada nos acontecerá.

O edifício é sólido e o mundo também.

Sabemos que cada edifício abriga mil corpos
labutando em mil compartimentos iguais.
Às vezes, alguns se inserem fatigados no elevador
e vem cá em cima respirar a brisa do oceano,
o que é privilégio dos edifícios.

O mundo é mesmo de cimento armado.

Certamente, se houvesse um cruzador louco,
fundeado na baía em frente da cidade,
a vida seria incerta... improvável...
Mas nas águas tranquilas só há marinheiros fiéis.
Como a esquadra é cordial!

Podemos beber honradamente nossa cerveja.

INTERPRETAÇÃO:

Nesse poema,  Carlos Drummond de Andrade faz uma crítica a "vida" das pessoas; pois eles vivem como alienados. Enquanto nada de diferente aconteceu, a burguesia simplesmente continuava vivendo na mesmice! Tomando cerveja e olhando o mar. 

(Aluna: Thais)

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