sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A NOITE DISSOLVE OS HOMENS


A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
Que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas,
nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos,
a noite espalhou o medo
e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda,
sem esperança... Os suspiros
acusam a presença negra
que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho
na noite. A noite é mortal,
completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens,
diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias,
apagou os almirantes
cintilantes! Nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo...
O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora,
Entretanto eu te diviso, ainda tímida,
Inexperiente das luzes que vai acender
E dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
Adivinho-te que sobes, vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
Teus dedos frios, que ainda se não modelaram
Mas que avançam na escuridão como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
Minha carne estremece na certeza da tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se enlaçam,
Os corpos hirtos adquirem uma fluidez,
Uma inocência, um perdão simples e macio...
Havemos de amanhecer. O mundo
Se tinge com as tintas da antemanhã
E o sangue que escorre é doce, de tão necessário
Para colorir suas pálidas faces, aurora.





Interpretação do poema

Carlos Drummond Andrade escreveu o poema “A noite dissolve os homens” na época da Segunda Guerra Mundial, mas como ele estava no Brasil, não tinha como saber o que realmente acontecia na Guerra, então através das notícias que ele tinha, se inspirou para escrever tal poema, mostrando a população, do seu ponto de vista, o que estava acontecendo na guerra e o que as pessoas que estavam lá, presenciavam.
No poema, há 42 versos divididos em três estrofes e foi dividido em dois segmentos: o primeiro, pode se dizer que se refere à noite como algo ruim, traz uma imagem do universo da guerra, da tristeza e da desesperança,já o segundo se refere à aurora, que dá a ideia de esperança, se referindo à aurora como uma esperança ao povo que vivenciou a guerra.
Nos últimos versos do poema, o eu lírico retrata que apesar da dor, da guerra e da tristeza que o fascismo trazia a população, há esperança para todos, que no poema é simbolizado pela aurora.
E após a esperança atingir os corações, apenas o que resta são os corpos, e um horizonte pintado de vermelho pela derrota, pelo arrependimento e pela inocência que rodeia a todos depois de uma noite de tribulação.
Cada pessoa interpreta algo de uma maneira diferente e Carlos Drummond de Andrade interpretou as notícias da guerra de um jeito diferenciado a ponto de ter se inspirado para escrever tal poema e mostrar as pessoas.

O poema é, de certa maneira, uma ilustração da tristeza e do desespero que algumas pessoas passaram durante a 2ª Guerra Mundial, de acordo com Drummond. E que apesar de muitas mortes e de muitas perdas, houve esperança após toda a luta.
(Aluna: Nathalia)

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